APÓS ABSOLVIÇÃO DE PADRE AIRTON, MULHER REAFIRMA DENÚNCIA E DIZ QUE FOI ESTUPRADA POR “UM AMIGO”

terça-feira, 31 de março de 2026

Um dia após a Justiça absolver o padre Airton Freire das acusações de estupro, a denunciante do caso, Silvia Tavares, de 47 anos, voltou a afirmar publicamente que foi vítima do religioso e declarou que continuará lutando para que o caso seja reavaliado.

A decisão foi proferida nesta segunda-feira (30) pelo juiz da Vara Única de Buíque, no Agreste de Pernambuco, Felipe Marinho dos Santos. Na sentença, o magistrado entendeu que não havia provas suficientes para comprovar a acusação e determinou a absolvição do padre, além da revogação da prisão domiciliar que ele cumpria desde 2023. O motorista Jailson Leonardo da Silva, que também havia sido acusado de participação no suposto crime, foi igualmente absolvido.

Mesmo após o resultado do processo, Silvia afirma que se sente indignada com a decisão judicial. Segundo ela, a denúncia foi motivada por um episódio de violência cometido por alguém em quem confiava.

“Me senti indignada, injustiçada. Desde 2022 eu luto. Não é fácil denunciar um religioso, ainda mais alguém que eu considerava um amigo. Ele quebrou o que tenho de mais importante. Eu fui estuprada por um amigo”, declarou.

De acordo com Silvia, a absolvição não encerrará a luta por justiça. Ela afirmou que pretende seguir adiante não apenas por si, mas também por outras possíveis vítimas.

O advogado que representa Silvia, Rafael Nunes, afirmou que o padre teria se aproveitado da relação de confiança que mantinha com a mulher. Segundo ele, ela tinha grande respeito e admiração pelo religioso, a quem chegou a chamar de padrinho.

“Na nossa concepção, houve abuso de confiança. Ela estava em um momento de vulnerabilidade de saúde e tinha uma relação de fé e respeito com ele”, explicou o advogado.

A defesa da denunciante informou que irá recorrer da decisão judicial. Segundo Rafael Nunes, existem outros processos envolvendo acusações semelhantes contra o religioso, e a equipe jurídica acredita que a sentença poderá ser revista em instâncias superiores.

Na decisão, o juiz destacou que algumas provas apresentadas durante o processo contradizem a versão apresentada pela denunciante, o que, segundo ele, tornou impossível comprovar a acusação de forma conclusiva.

Já a defesa de Silvia argumenta que as contradições apontadas seriam pontuais e não comprometeriam o conjunto dos fatos apresentados durante o processo.

“Contradições pequenas podem ocorrer em qualquer relato, mas isso não compromete a essência do que aconteceu”, afirmou o advogado.

Silvia também declarou que o que mais a revolta é o fato de, segundo ela, o padre ter negado aspectos que posteriormente teriam sido comprovados.

“Ele disse que não estava no local, e eu provei que estava. Disse que não havia vestígios e depois apareceram provas. Isso tudo está no processo”, afirmou.

O caso ganhou repercussão pública em 2023, quando as acusações vieram à tona e resultaram na prisão preventiva do religioso e do motorista. Agora, com a decisão da Justiça, ambos respondem ao processo em liberdade enquanto o caso poderá ser analisado em instâncias superiores.

Postado Por: Paulo Fernando