INVESTIGAÇÃO DA PCPE REVELA ESQUEMA DE DESVIO DE ARMAS LEGAIS PARA O MERCADO CLANDESTINO

quinta-feira, 21 de maio de 2026

GOE identifica uso de “laranjas” em esquema de compra e revenda ilegal de armas

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, na manhã desta quarta-feira (20), a Operação de Repressão Qualificada (ORQ) denominada “FORJA II”, coordenada pelo Grupo de Operações Especiais (GOE) sob o comando do delegado Jorge Pinto. A ação tem como foco o combate ao comércio ilegal de armas de fogo no município de Serra Talhada e região do Sertão do Estado.

As investigações tiveram início em março de 2025, inicialmente para apurar um homicídio ocorrido no município. No decorrer das diligências, a Polícia Civil identificou uma ampla rede criminosa voltada à compra e revenda clandestina de armas, acessórios e munições, utilizando-se de pessoas com registro de CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores), além de servidores públicos que possuíam facilidades funcionais para aquisição legal de armamentos.

Segundo a investigação, armas e munições eram adquiridas de forma aparentemente regular junto a fabricantes e estabelecimentos autorizados, mas acabavam sendo desviadas para o mercado ilegal e destinadas, inclusive, a integrantes de organizações criminosas da região.

De acordo com o delegado Jorge Pinto, o grupo utilizava “laranjas” para realizar as compras: “Pessoas eram recrutadas para ceder documentos em troca de pagamento, enquanto o verdadeiro destinatário das armas era ocultado por meio de notas fiscais emitidas em nome de terceiros”, explica.

A investigação foi dividida em duas fases. Na primeira etapa, deflagrada em janeiro deste ano, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, resultando em três prisões em flagrante e no afastamento cautelar de agentes públicos investigados por suposta participação no esquema.

Já nesta nova fase da operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão domiciliar, além da suspensão judicial das atividades econômicas de um clube de tiro da cidade, apontado pelas investigações como instrumento utilizado para o desvio de armas e munições para o mercado clandestino.

“A operação busca justamente estancar essa sangria, impedindo que armas e munições continuem chegando às mãos da criminalidade violenta em Serra Talhada”, destacou o delegado.

Apesar de o estabelecimento atuar com aparência de legalidade há cerca de cinco anos, o fluxo de saída das mercadorias levantou suspeitas. A investigação identificou que o clube estaria sendo utilizado para facilitar o fornecimento de armamentos a pessoas ligadas ao crime organizado.

Durante as diligências realizadas nesta quarta-feira, foram apreendidas 57 armas de fogo. Somadas às apreensões da primeira fase, a operação contabiliza, até o momento, 66 armas recolhidas e quase quatro mil munições apreendidas.

Ainda segundo a corporação, entre os investigados há três servidores públicos suspeitos de utilizar a função para facilitar a aquisição e posterior revenda de armamentos por valores superiores aos praticados no mercado. Os nomes, no entanto, não podem ser divulgados, já que o processo tramita sob segredo de Justiça.

Os envolvidos poderão responder por crimes como participação em organização criminosa, comércio ilegal de arma de fogo e alguns por lavagem de capitais e falsidade ideológica comércio ilegal de arma de fogo e falsidade ideológica.

A operação contou com apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (DINTEL), da Diretoria de Operações Estratégicas da Secretaria da Fazenda de Pernambuco (DOE/SEFAZ-PE), da Polícia Federal (PF), do Exército Brasileiro (EB) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Pernambuco (GAECO/MPPE).

Postado Por: Paulo Fernando