QUE EU NUNCA PERCA A CAPACIDADE DE OLHAR PARA O MEU PRÓXIMO COM HUMANIDADE
Há dores que não fazem barulho. Há sofrimentos que não aparecem no sorriso, nem nas rotinas do dia a dia. Ontem fomos confrontados com uma dessas dores silenciosas — profundas demais para caber em palavras, pesadas demais para serem carregadas sozinhas.
Eu não conhecia Maria Cícera. Não sei quais batalhas ela enfrentava, nem há quanto tempo o cansaço da alma a acompanhava. Mas uma coisa é certa: ninguém chega a um limite desses estando bem. Ninguém toma uma decisão tão extrema por felicidade. Isso é dor. É desespero. É um pedido de socorro que, muitas vezes, chega tarde demais.
Que esse episódio nos ensine a olhar com mais atenção, a julgar menos, a escutar mais. Que a gente nunca subestime o sofrimento do outro só porque não conseguimos vê-lo. Cada pessoa carrega um mundo dentro de si — e alguns mundos estão em ruínas.
Que Deus, Senhor de todas as coisas, acolha a alma de Maria Cícera. Ele conhece a dor que não foi dita, o choro que não foi ouvido, o peso que ela carregou em silêncio. Que o mesmo Deus que a recebe com misericórdia estenda Sua mão à família, aos amigos, e a todos que ficaram, oferecendo conforto onde agora existe saudade.
Que essa perda não seja apenas mais uma notícia, mas um chamado à empatia. Que sejamos mais presença, mais cuidado, mais amor. Porque, às vezes, um gesto, uma palavra ou um olhar atento pode ser a diferença entre continuar ou desistir.
Paulo Fernando
Jornalista, editor de conteúdo do Portal Agreste Violento






