sábado, 26 de junho de 2021

Vivendo o mundo em Pandemia, ainda lhe cabe a Poesia. Um mundo somente feito de coisas ruins, pobre do homem, não? Que, aliás, o homem é mesmo um pobre, quase não vive, respira. Asfixiado pelo peso da vida que em si mesmo deposita, e hoje acometido por uma enfermidade sufocante igualmente, vive preso e refém do medo. Pandemias, desilusões, desencontro com a vida, um pouco de Poesia alivia lhe trazendo esperança. Tocando os Corações, elevando a Alma, a Poesia traz o homem à reflexão despertando para esse mundo embrutecido e desalmado. A isso se presta também. Em ‘A Rosa do Povo’, coletânea de Poemas sublimes, o genial Drummond denuncia um período sombrio vivido, este sempre se repetindo, o homem sem chão e até sem visão da Esperança, chama e luz de sua caminhada. – Não cantaremos o amor, refugiado abaixo dos subterrâneos, mas o Medo: dos abraços, dos soldados, das igrejas, dos ditadores, da morte (faz lembrar algo?). Sobre nossos túmulos, flores: amarelas e medrosas – Congresso Internacional do Medo. – Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta: Trouxeste a chave? – Procura da Poesia.

Seguem dois Poemas de nossa lavra. No primeiro, rendo homenagem a todas as mulheres (Rosa). É estranho que em pleno Século XXI, e ainda seja vítima de tanto Preconceito e mais: brutalizada. Até quando, ‘Casa-Grande & Senzala’? No outro (Existencial), remeto à condição do homem. Corpo e Alma em atrito. Disse Cristo: – Meu reino não é deste mundo. João 18:36.                         

Minha Rosa – Poema

Rosa,                                                                                        

Tenho verso, escondido, imerso                                                                                 

Clama seu corpo, uma cama

Gemidos, gozos divididos

Passando

Rosa vai me devorando

É seu meu pensamento, me aquece por dentro

Move-me seu corpo, e não é pouco

Seios, devaneios, vejo, puro desejo

Rosa provoca, me evoca

Primícias

Beijos e carícias

Imagem

Gata selvagem

Rosa arranha, me assanha

Seu cio, eu vadio

Quando se deita, ah, Rosa é perfeita

Se mexe, faz manobra, ela sobra

Incita, como excita, ah, bendita

Nu, mundo azul

Meu sorriso, paraíso, Rosa louca

Vou do céu de sua boca

Às magináveis partes, e com arte

Sou assanhado nesse corpo sonhado

Rosa,

Ah Rosa, chama, fim de quem ama

Me apego, perdidamente me entrego

Um feitiço

Deito, e é por isso

Alma Minha – Poema

Alma minha, por que tanto falas?

Te calas

Essa tua aflição

Me inquieta o coração

Confesso, tenho medo

Nada sei dos teus segredos

Alma minha, que penas

Te peço apenas

Sossegas, tens calma

Parte do meu corpo, amálgama

Comigo, navegas

Sei, meu destino, carregas

Minha alma tem um quê…

Ah, não sei dizer

Parece-me deslocada, perdida

Infeliz com esta vida

Presa em meu corpo

Reclama, clama, coisa de louco

Minha alma não entende

E até me surpreende

Não aceitar seu motivo

Parte de mim, viver comigo

Embora contrariada

Sou por enquanto sua morada

Mas minha alma tem razão

Não sendo ela desse chão

Seu mundo o infinito

Natural todo esse agito, seu grito

Ela quer mesmo é se libertar

A Ele, ao Eterno voltar.

José Maria

Postado Por: Paulo Fernando

clinica

clinica

CONTADORA

CONTADORA

CURVELO

CURVELO