sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Em referência ao Setembro Amarelo, Secretaria abordou temas para profissionais e população em geral


De janeiro a agosto deste ano, Pernambuco registrou 1.549 tentativas de suicídio. No mesmo período de 2019, foram 1.785 tentativas registradas no Estado. Apesar da queda de um ano para o outro, os números revelam que as ocorrências, de notificação compulsória, continuam em patamares preocupantes. Neste Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), por meio da Gerência de Atenção à Saúde Mental (Gasam) e o Núcleo de Telessaúde, realizou programação de webpalestras voltadas para a conscientização sobre o tema – tanto para profissionais da área de saúde mental, como para a comunidade em geral. A ideia é sensibilizar a sociedade de que o assunto deve ser tratado durante o ano inteiro. Todos os debates estão disponíveis no Youtube do Núcleo de Telessaúde (http://youtube.com/c/NucleoEstadualdeTelessaudeSESPE).


Ao longo das últimas semanas, as equipes abordaram desde assuntos técnicos para os profissionais envolvidos, como as estratégias de prevenção e cuidados no território; a atuação da enfermagem na prevenção ao suicídio; o trabalho no Estado na notificação e vigilância das violências auto e heteroprovocadas; assim discutiram temas gerais para incentivar a sociedade a se informar sobre o assunto. “O Setembro Amarelo deve virar um hábito cultural em nossa sociedade, algo para ser discutido e debatido não apenas durante 30 dias, mas de janeiro a dezembro. Por isso, nossa programação foi baseada em três perspectivas: palestras informativas para toda a população, já que para prevenir algo, é preciso conhecer o problema; a qualificação dos profissionais envolvidos nesse contexto; e apresentação dos dados estaduais, com os principais indicadores analisados pela equipe de Vigilância em Saúde”, pontua o médico psiquiatra Carlos Gustavo Arribas, da equipe da Gasam.

Para nortear os profissionais sobre a qualidade do atendimento à vítima, a Secretaria recomenda o cumprimento de três passos essenciais: acolhimento, notificação e encaminhamento. “Nós buscamos orientar os profissionais de saúde sobre os principais passos a serem tomados diante de uma tentativa de suicídio: acolher a pessoa, notificar a ocorrência aos órgãos de controle e encaminhar o paciente para serviços intersetoriais na rede, ou seja, não apenas para equipamentos da saúde, mas também de outras áreas essenciais, como educação, cultura e assistência. Entendemos que, ao seguir essas três etapas, o profissional age no fortalecimento da rede de atenção à saúde”, pontua Arribas. Para se ter uma ideia, das 1.549 notificações registradas nos primeiros oito meses deste ano, 30,1% das vítimas havia cometido uma tentativa anterior.

O médico ressalta, ainda, que a campanha do Setembro Amarelo também reforça a relação entre as violências autoprovocadas (por si mesmo) e heteroprovocadas (por outra pessoa). “É importante ressaltar que o Setembro Amarelo não é um mês de combate apenas ao suicídio, mas também de combate às violências, tanto as autoprovocadas como as heteroprovocadas. São dois tipos de violência que se interrelacionam e podem gerar o suicídio de fato. Diante desse contexto, o profissional precisa estar atento para as especificidades de cada caso, acolhendo a pessoa, notificando a Vigilância em Saúde e encaminhando para os atendimentos dentro da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do território”, pontua.  

COMO AJUDAR – Para ajudar uma pessoa que convive com algum transtorno mental ou está em sofrimento psíquico, o especialista ressalta que o essencial é ter uma postura acolhedora. “A primeira iniciativa essencial é se colocar ao lado dessa pessoa para ouvi-la, sem julgamento ou críticas, desabafar sobre o seu sofrimento. Outro ponto importante é procurar dados fidedignos sobre o assunto, pois existem muitos mitos relacionados à saúde mental, para saber quais são os sinais de alerta relacionados às doenças mentais. E, ao perceber que a pessoa precisa de um atendimento especializado, se dispor a acompanhá-la ao serviço de saúde quando ela sentir necessidade e monitorá-la durante o tratamento”, pontua o psiquiatra Gustavo Arribas.

PÓSVENÇÃO – Além da prevenção ao suicídio e a conscientização sobre os distúrbios psiquiátricos, o Setembro Amarelo chama atenção para outro aspecto: a importância da pósvenção ao suicídio. “É importante esclarecer que a sociedade em geral deve estar atenta, também, aos impactos causados pelo suicídio de algum indivíduo. As pessoas próximas à vítima podem ser afetadas das mais variadas formas. Por isso, o acompanhamento dessa comunidade e a Vigilância das notificações no território devem perdurar por bastante tempo”, explica o psiquiatra.

ÓBITOS – Em 2014, Pernambuco registrou 340 óbitos por suicídio, o que equivale a uma taxa de mortalidade pela ocorrência de 3,7 pessoas para cada 100 mil habitantes. No ano de 2015, foram 319 mortes por suicídio, com taxa de mortalidade de 3,4%. Já em 2016, o quantitativo foi de 405 óbitos por suicídio no Estado (4,3% de mortalidade). Em 2017, foram 440 óbitos (taxa de mortalidade de 4,6%). Já ano de 2018, atualização anual mais recente, Pernambuco registrou 445 óbitos por suicídio, com taxa de mortalidade de 4,7% para cada 100 mil habitantes – taxa inferior à nacional, de 6,1%, e à taxa global, de 10,5%.

PANDEMIA – Atenta às repercussões que a pandemia do novo coronavírus podem causar na saúde mental da sociedade, a Secretaria Estadual de Saúde implementou, em abril, o Acolhe SES, programa que tem como objetivo oferecer suporte psicossocial e orientações sobre a rede de serviços de saúde aos profissionais que vivem o estresse diário na linha de frente do combate à Covid-19, assim como para seus familiares. O serviço é feito pelo 0800-081-4100, de segunda a sábado, no horário de 07 às 19 horas.

A central conta com uma equipe multiprofissional formada por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, sanitaristas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, residentes em Saúde Mental e Saúde da Família e profissionais que trabalham com Terapias Integrativas. Além da escuta qualificada e apoio psicossocial, serão feitas orientações sobre a rede de serviços de saúde e disponibilizados vídeos sobre as Práticas Integrativas e de promoção à saúde.

Já para a população em geral, a SES passou a oferecer, em julho, o serviço de teleacolhimento para todos os usuários que acessam o Atende em Casa, ferramenta criada pelo Governo de Pernambuco em parceria com a Prefeitura do Recife para orientação sobre a Covid-19 e agendamento de testagem para a doença. Com isso, os usuários que se cadastram no aplicativo têm a opção de receber apoio emocional de equipe de psicólogos capacitados para as demandas. Ao acessar a plataforma, o usuário é questionado se está precisando de apoio emocional. Se optar pelo suporte, a ferramenta conduz o internauta para atendimento virtual com psicólogo da equipe da SES-PE, que faz uma primeira escuta qualificada para identificar se o paciente precisa apenas daquele teleacolhimento pontual ou se será necessário encaminhá-lo para outros tipos de atendimento ou serviços de referência de acordo com a necessidade.

Durante o teleacolhimento, os profissionais buscam identificar as principais situações enfrentadas pela sociedade durante a pandemia da Covid-19: angústia, medo, ansiedade, violência, problemas financeiros, luto e automedicação. Os especialistas podem encaminhar o usuário para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do Estado; para a rede de proteção a pessoas vítima de violência; ou para equipe de referência diária – para aqueles usuários que necessitem de continuidade do atendimento por psicólogo ou psiquiatra da rede de retaguarda.

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