quarta-feira, 05 de fevereiro de 2020

Filho de uma ex-catadora de lixo, o estudante Alcides do Nascimento Lins, de 22 anos, era o orgulho da comunidade da Vila Santa Luzia, no bairro da Torre, na Zona Norte do Recife. Estava prestes a se formar no curso de biomedicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e provava que, com esforço, qualquer um poderia chegar lá. Mas um crime, há exatos dez anos, interrompeu os sonhos dele, da família e dos moradores daquela comunidade.

A história de Alcides ficou conhecida nacionalmente, anos antes, depois de repórteres flagrarem a comemoração dele e da mãe, Maria Luiza do Nascimento, após a publicação do listão do vestibular. A emoção contagiou a todos e, aos gritos, eles celebravam a vitória do estudante – primeiro lugar no curso de biomedicina da rede pública de ensino.

Na noite do dia 05 de fevereiro de 2010, Alcides, a mãe e as irmãs estavam em casa quando ouviram um barulho vindo da rua. Atenderam a porta e avisaram que a pessoa que estava sendo procurada morava na casa ao lado. Pouco depois, os dois homens voltaram e insistiram. João Guilherme Nunes da Costa, um dos rapazes, sentenciou: não iria perder a viagem. Como não encontrou quem procurava, ele disparou um tiro à queima roupa em Alcides. O assassino ainda ordenou que o adolescente que o acompanhava também atirasse. A dupla fugiu em seguida.

O estudante, que nada tinha a ver com a história, chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do hospital. Um assassinato que destruiu uma família e chocou o País.

Meses depois, João Guilherme Nunes da Costa – com vasta ficha criminal – foi capturado pela polícia. Negou o crime, mas testemunhas confirmaram que ele foi mesmo o assassino de Alcides. Em júri popular, ele foi condenado a 25 anos de prisão. Até hoje, permanece preso.

A FAMÍLIA

O tempo passou, a dor não cessou, mas a família segue em frente. Dona Luiza conseguiu formar as outras três filhas em universidades. E, por onde passa, ainda leva o exemplo de perseverança de Alcides. Faz questão de lembrar do esforço do jovem para inspirar tantos outros.

No final do ano passado, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) negou à mãe de Alcides um pedido de indenização contra o Governo do Estado. Na ação, a ex-catadora alegou que o Estado foi omisso no seu dever de segurança, pois o filho foi morto por um detento que havia conseguido fugir do presídio cerca de 15 dias antes de matá-lo. A ação com pedido de uma pensão mensal e vitalícia no valor de R$ 3,5 mil tramitava na Justiça desde 2012.

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