terça-feira, 21 de julho de 2020

Criminosos estão escrevendo mensagens em muros de delegacias e casas. Juízes também estariam sofrendo ameaças da facção

A violência crescente em alguns municípios do Agreste de Pernambuco está assustando até mesmo os profissionais da segurança pública. Agentes e comissários da Polícia Civil estão pedindo remoção para delegacias de outros municípios por causa de ameaças sofridas, que teriam se intensificado nos últimos meses com o avanço da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das mais perigosas do Brasil. Como medida de segurança, os policiais passaram a fazer um rodízio em outras cidades, evitando um longo período nos mesmos locais.

Membros da organização criminosa estariam escrevendo mensagens nos muros das delegacias, batalhões da Polícia Militar e até em residências, com ameaças de morte aos policiais.

“Os policiais que participaram da investigação dessa organização começaram a ser ameaçados. Eles passaram a fazer rodízio nas delegacias, uma espécie de lotação temporária. Também houve reforço policial nas cidades onde há maior perigo”, afirmou o presidente do Sinpol-PE, Rafael Cavalcanti.

O reforço teve início após o assassinato do policial militar José Rogério Duarte Batista, de 56 anos, às margens da rodovia PE-90, em Surubim, no final de maio. A vítima era lotada no batalhão do município de Casinhas. Para os investigadores, a morte do policial, considerado exemplar e muito ativo no combate à criminalidade, foi um atentado contra toda a instituição.

No mês passado, o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) cobrou medidas à chefia da Polícia Civil.

Segundo as investigações, membros da facção estão agindo em cidades como Surubim e Casinhas, comandando um forte esquema de tráfico de drogas e impondo medo à população.

A coluna Ronda JC apurou que o Departamento de Combate ao Crime Organizado (Draco) está à frente do caso. O serviço de inteligência da Polícia Civil também redobrou a atenção para a região do Agreste.

Na semana passada, a Polícia Civil prendeu suspeitos de envolvimento na morte do PM em Surubim.

AMEAÇAS TAMBÉM A JUÍZES

Magistrados que atuam nesses municípios do Agreste também estariam sendo ameaçados pela facção. Por causa disso, alguns juízes estariam alegando suspeição para não assumirem processos referentes à organização criminosa. “O Poder Judiciário também está acuado na região”, disse o presidente do Sinpol-PE.

Uma pesquisa feita pela coluna apontou que alguns processos, de fato, foram repassados para juízes substitutos. Um despacho, do dia 12 de maio deste ano, aponta que um juiz de Surubim alegou foro íntimo para não assumir um processo criminal. O assunto, inclusive, foi tratado em reunião recente do Conselho de Magistratura do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

A coluna procurou a assessoria do TJPE para saber que medidas estão sendo tomadas em relação à segurança dos magistrados na região. Em nota, a assessoria do tribunal afirmou que “dispõe de uma Comissão de Segurança Institucional, composta por magistrados e o chefe de Assistência Policial do TJPE. O órgão é responsável, entre outras ações, por analisar e dar suporte a magistrados em situação de risco. As medidas são processadas em sigilo para garantir a segurança dos juízes”.

Já a Associação dos Magistrados de Pernambuco (Amepe) disse, em nota, que também participa como membro da comissão e que “sugere e acompanha as medidas adotadas pelo Tribunal, além de dar suporte integral a todos os associados que solicitam apoio da entidade”.

VARA ESPECIAL

Para combater a criminalidade no Agreste, o Sinpol-PE enviou ofício ao TJPE pedindo a criação de uma Vara Contra o Crime Organizado. “Já temos um departamento na Polícia Civil e outro no Ministério Público para investigar esses crimes. Falta a Justiça criar uma Vara”, pontuou Rafael Cavalcanti. A resposta ao ofício ainda não foi dada.

SILÊNCIO

Insistentemente, a coluna vem pedindo um posicionamento da Polícia Civil de Pernambuco sobre a segurança dos policiais e sobre as investigações relacionadas ao PCC no Agreste, mas nenhuma resposta foi dada até a manhã desta terça-feira (21).

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