quinta-feira, 06 de fevereiro de 2020

Essa é Destaque no Blog de Roberto Almeida

Recentemente o prefeito Izaías Régis se autoproclamou o “melhor prefeito da história de Garanhuns”.

Acredito que essa avaliação devia ser feita pela população e pela imprensa, após o término do mandato do atual gestor.

Acho cedo, ainda, para fazer um julgamento de quem administrou melhor Garanhuns ao longo da história.

Pessoalmente, não posso avaliar gestões do passado da cidade, como as de Francisco Figueira, Euclides Dourado e Celso Galvão.

Sei pouca coisa deles, pois foram prefeitos quando o jornalista que vos escreve nem era nascido e não há muita informação disponível sobre o que fizeram.

Também é preciso levar em conta que os três citados governaram um município diferente deste de hoje. A cidade era pequena e o município era maior, pois tinha mais distritos. Até a década de 60 Caetés, Brejão, São João e Paranatama pertenciam à Terra de Simoa Gomes.

Mesmo Amílcar Valença, prefeito pela primeira vez nos anos 60 do século passado, administrou uma outra realidade. Sei que ele foi dos bons, era um “matuto” à frente do seu tempo, mesmo assim a época dele está distante e não posso enumerar tanta coisa que ele fez, embora saiba que foi o criador da Faculdade de Administração e o homem que construiu o Mercado 18 de Agosto.

Nos últimos 40 ou 50 anos, Garanhuns teve bons prefeitos, como Ivo Amaral (dois mandatos) e Silvino Duarte (também dois mandatos). Outros não se saíram tão bem assim, apesar de eleitos com grande apoio popular.

É o caso de José Inácio (já falecido), Bartolomeu Quidute e Luiz Carlos de Oliveira. Cada um deles teve suas qualidades.

O primeiro instalou o moderno sistema de ônibus e construiu a “Praça da Fonte Luminosa”. O segundo levou o governo à periferia como nenhum outro antes e conseguiu o Caic do Indiano, uma grande obra em seu tempo. Luiz da Farmácia, que se queimou muito por conta de uma ponte no valor de R$ 18 mil, investiu mais em saneamento do que seus antecessores e o atual prefeito, fez o acesso da Cohab III, construiu a Escola Miguel Arraes de Alencar (em Parque Fênix) e fez uma reforma e ampliação na escola da Cohab III que foi mesmo que construir uma outra.

Mas no geral saíram desgastados, por amadorismo ou falhas dos seus assessores.

Assim, Ivo Amaral e Silvino Duarte se sobressaíram nessas últimas cinco décadas, por realizarem uma grande obra administrativa, pelo profissionalismo e por não cometerem erros bobos como os outros três.

O atual prefeito, não resta dúvida, está entre os grandes “tocadores de obras” do município.

Na campanha política de 2012, ele alardeava no programa de rádio e nas ruas que queria ser o “melhor prefeito da história de Garanhuns”. Pelo que se vê, acha que já chegou lá.

Os dados, no entanto, embora incompletos, sinalizam que Ivo e Silvino podem ainda não ter sido superados.

Izaías, em sete anos de governo, se destaca sobretudo pelo grande volume de obras de pavimentação. Somente na primeira gestão asfaltou ou calçou em torno de 400 ruas. Nesse segundo mandato também já fez muita coisa, beneficiando bairros inteiros como a Cohab II, o Indiano, o Magano, o João da Mata e a Brasília.

Prefeito atual também deu uma dimensão maior à festa natalina, que começou a ser resgatada com Silvino na prefeitura e Luiz Carlos de Oliveira na presidência da CDL.

Com a marca “Magia do Natal” a cidade passou a receber uma decoração cada vez mais caprichada, nos finais de ano, a prefeitura passou a contratar algumas atrações musicais populares, fez marketing e a festa ganhou fama em toda região, na capital e até em outros estados.

Atual gestor criou ainda o Festival Viva Dominguinhos, que aproveita o nome do maior artista da terra para todo mês de abril atrair um grande público que vem assistir shows de artistas regionais de peso, como Flávio José, Elba Ramalho e Alcymar Monteiro.

Os dois eventos, merecidamente, passaram a fazer parte da programação turística do município e do estado.

Izaías colocou suas digitais na Magia do Natal e Festival Viva Dominguinhos, deixando pra lá eventos menos populares, como os festivais do jazz, que foi para Gravatá, e o da Jovem Guarda, simplesmente esquecido.

Bom em calçamento, asfalto e duas festas do ano, o prefeito de Garanhuns até agora deixa a desejar em termos de assistência social, saúde e educação, setores fundamentais na elevação da qualidade de vida.

Alguém poderia citar uma grande iniciativa em uma dessas três áreas? Não tem, é só o feijão e arroz mesmo e até nisso deixa a desejar.

E olha que na educação e saúde o gestor tem duas excelentes secretárias: Eliane Simões e Nilva Mendes. Mulheres competentes, determinadas, que têm compromisso com o povo.

Mesmo assim, os resultados são pífios e a gente vê iniciativas interessantes nesses setores em municípios menores da região e por aqui é só o básico mesmo.

Lajedo, município de 39.240 mil habitantes, segundo o IBGE, tem um hospital municipal que funciona quase como um Dom Moura na cidade vizinha, enquanto por aqui só temos mesmo os postos de saúde.

Uma UPA que começou a ser construída na gestão de Izaías Régis está tomada pelo mato, os portões enferrujados e quando se precisa de assistência médica além do básico, em Garanhuns, tem se correr mesmo para o velho “Dom Morra”.

A assistência médica no tempo de Ivo e Silvino funcionava melhor, não havia essa grita de hoje. Verdade também que a demanda era menor.

Ivo Amaral foi o prefeito que primeiro fez asfalto numa cidade do interior (à frente de Caruaru), construiu o relógio de flores (ainda hoje o principal cartão postal da cidade) e teve visão para acolher a ideia do jornalista Marcílio Reinaux e com o apoio do governador Joaquim Francisco criou o Festival de Inverno, que em 2020 completa 30 anos.

E Silvino, o que diabo fez? Alguém poderia perguntar.

Quando prefeito, o médico Silvino Duarte informatizou a prefeitura, criou o Centro Administrativo, construiu o portal na entrada leste da cidade e fez a reforma e ampliação da então Praça Guadalajara, que não passava de uma edificação modesta e virou “Praça de Eventos”.

Quando Dr. Silvino era prefeito, ele teve como secretária de Educação a professora Girlane Lira, competentíssima. Nunca as coisas funcionaram tão bem no setor como na época dela. Infelizmente, nos deixou muito cedo, vitimada por um infarto.

A gestão de Silvino também foi marcada por abertura de novas avenidas, o acesso da Cohab II e muitas obras de Calçamento ou asfalto em bairros como Indiano, Magano e Heliópolis.

Assim, as marcas deixadas por Amaral e Duarte são muito fortes. Pavimentaram muitas ruas também e se destacaram mais na saúde, na educação, na assistência social e no turismo.

Veja caro leitor que Ivo, quando Garanhuns ainda tinha ares de província, trouxe para cá fábricas como a Hora Norte, Sul Balas e Refinações e Milho Brasil, esta última ainda hoje em pleno funcionamento.

Hoje, já é grande coisa ter as Casas Bahia, o Todo Dia e o Assaí, que geram poucos empregos, quando comparados a uma indústria.

Não dá aqui para esgotar o assunto. São apenas alguns dados para que o garanhuense analise friamente e tire suas próprias conclusões. De todo modo, repito, o julgamento deve ficar mais pra frente. Quando terminar o atual governo. Pessoalmente, porém, me inclino a pensar, com base no que foi dito, que as gestões de Ivo e Silvino não foram mesmo superadas e Izaías não tem mais tempo para conseguir isso.

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